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Deu
no Correio da Bahia (BA) - 14/12/2005
Desembargadoras não falam sobre anéis
As desembargadoras Ana Maria Assemany e Maria José Sales, citadas
como "votos fechados" de sua "cota" pelo arquiteto
Fernando Frank, na conversa gravada com o advogado Luciano Cintra - irmão
do desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra -, pelo segundo dia consecutivo
mandaram os assessores manterem os jornalistas a distância. Isto
para evitar esclarecer se receberam ou não como "mimo"
anéis de brilhante do arquiteto Frank, acompanhado de um pedido
de voto para o desembargador Benito Figueiredo para a presidência
do Tribunal de Justiça da Bahia.
A curiosidade dos jornalistas se justifica pelo fato de o arquiteto ter
circulado pelos gabinetes do tribunal, ostentando uma sacola da joalharia
H Stern, e a desembargadora Aidil Silva Conceição ter admitido
ter recebido e devolvido dias depois, o anel de brilhante, por conta dos
rumores sobre a troca do presente pelo voto no candidato do arquiteto
à chefia do poder Judiciário.
Ontem, o que causou surpresa a alguns funcionários do tribunal
foi a repentina mudança no humor e no estilo de vestir de algumas
desembargadoras. "Estão todas bravíssimas e vestidas
assim, de forma despojada, sem nenhuma ostentação. Nos dedos,
nenhum anel de brilhante, apenas a aliança", observou um servidor
mais atento.
Segundo o mesmo servidor, tem desembargadora usando algo impensável
e de mau gosto: bijuteria adquirido provavelmente em lojas de miçangas
da galeria do edifício Politeama, no Relógio de São
Pedro.
O radialista Mário Kertész, em seu programa de ontem, na
Rádio Metrópole, levantou a possibilidade de os presentes
do arquiteto Fernando Frank às desembargadoras não terem
se resumido a apenas anéis de brilhante - o que deve ser apurado.
Ele afirmou que soube que "uma determinada senhora, conhecidíssima,
recebeu um relógio nessa leva, mas com outro objetivo. E chegou
para o doador e disse: `Não é isso que eu quero, não.
O que quero tem um fundo de safira. Por favor, troque e traga". Ele
trocou e levou. Acho que isso vai render, ainda mais depois de uma denúncia,
tem que render", afirmou o radialista, que preferiu não entrar
em detalhes sobre o episódio.
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